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A expressão não é das mais conhecidas e só quem já rodou bastante na vida vai lembrar. Dona Xepa foi uma novela da Globo que passou no milênio passado, mais precisamente em 1977. Era a história de uma feirante e o nome "Xepa" vinha da expressão que designa frutas e legumes que sobram no fim da feira. Lembrei de Dona Xepa por causa do Palmeiras. Do jeito que as coisas caminham no Palestra Itália, o clube precisará se virar em 2009 com a xepa esportiva. O feirão está comendo solto, alguns se anteciparam e compraram o que tinha melhor nas barraquinhas. O Internacional formou seu time lá atrás, o São Paulo já tinha contratado Wagner Diniz durante o Brasileiro, agora trouxe Eduardo Costa, Renato Silva e deve fechar com Washington. O Corinthians também iniciou a formação de seu grupo lá atrás com a vinda de Morais, acertou com Ronaldo e vem mantendo a boa base. O Grêmio se mexe, o Flamengo está segurando sua turma, o Santos procura reforços. E o Palmeiras? O Palmeiras, nada. Não contrata, só se desfaz. Luxemburgo fica? Ninguém assina embaixo. A indefinição política (o novo presidente só será conhecido em meados de janeiro) congelou o clube. Do jeito que vai, quando começar a se coçar, só restará legume podre no mercado. E aí, temporada perdida. O clube já dormiu no ponto, mas dá pra minimizar o prejuízo. Situação e oposição deveriam se sentar e fazer um pacto. "Vamos por aqui, ou por ali, mas vamos para algum lugar". A ambição política deveria dar lugar ao verdadeiro sentimento pelo clube, se é que isso ainda existe no futebol. O Palmeiras pode botar no lixo o ano de 2008 que, apesar de um único título paulista, foi um período de reconquista do respeito no futebol brasileiro. Porque esperar a eleição do presidente para remontar a equipe é pedir para enterrar a nova temporada.
O Corinthians, o médico do clube Joaquim Grava e o staff de Ronaldo ensaiaram bem o discurso: todos dizem que o Fenômeno está quase em forma. Entre quatro ou cinco semanas e ele já estará jogando. Quer dizer, em meados de janeiro e Ronaldo já poderia estrear. Em matéria de peso, seriam uns quatro ou cinco quilos a mais. O percentual de gordura, uma referência ainda mais importante do que o peso para um atleta profissional, estaria quase controlado também. Segundo o fisioterapeuta particular de Ronaldo, Bruno Maziote, ele estaria entre 13,5 e 14% de gordura. Para se ter idéia desse número, um jogador de futebol precisa andar pela faixa de 9 a 11%. Um homem é considerado obeso se passa dos 25% de gordura.
Pois bem, esse é o discurso oficial. Neste último sábado, estive na inauguração de uma loja da Nike em São Paulo onde a estrela da festa era justamente Ronaldo. Bem humorado, simpático, Ronaldo atendeu a todos. Mas, de perto, confesso, Ronaldo assusta. Não parece um jogador que relaxou nas férias e ganhou uns quilinhos a mais. Parece um obeso original, alguém que sempre foi pesado. O rosto está redondo demais, a massa se espalha pelo corpo. Dizer que ele está apenas cinco quilos acima é quase um desrespeito à inteligência do torcedor. Estamos falando fácil, fácil, de mais de dez quilos. Falei com dois especialistas em medicina esportiva. Os dois deram diagnósticos semelhantes. Segundo eles, estamos lidando entre 12 a 15 quilos de excesso.
O percentual de gordura jamais andaria pelos 14% admitidos oficialmente e sim perto dos 20%. Os dois especialistas falam de prazos bem diferentes para Ronaldo voltar a jogar sem grande risco de uma nova contusão. No lugar dos 30 dias do médico corintiano Joaquim Grava, pelo menos três meses. Apenas perto de março Ronaldo voltaria. A dúvida que fica então é se o Corinthians está enganando sua torcida ou se engana a si próprio. Tomara que seja a primeira hipótese, que Ronaldo volte apenas quando puder voltar. Porque apressar o retorno de alguém sem condições apenas em função do marketing seria um crime.
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